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02.11.2016

Novela musical, "Rock story" pe em cena a dicotomia entre rock e pop

A partir de dezembro de 1976, a novelista Janete Clair (1925 – 1983) pôs em cena, na trama de Duas vidas, um cantor (Dino César, vivido pelo ator Mário Gomes, então no auge da forma física) que galgava os degraus da fama ao se envolver com a executiva de uma gravadora (Cláudia, personagem de Susana Vieira). Decorridos 40 anos, a música – personagem recorrente em todas as novelas através das trilha sonoras – volta como tema central de um enredo que vai discutir a dicotomia entre rock e pop enquanto descortina os bastidores do mercado fonográfico. No ar pela TV Globo a partir de 9 de novembro deste ano de 2016, no horário das 19h, Rock story – novela de Maria Helena Nascimento produzida com direção artística de Dennis Carvalho e com direção de geral de Dennis e Maria de Médicis – deverá também despertar a atenção de quem se interessa pelos meandros da indústria da música.

Guilherme Santiago, o Gui, personagem do ator Vladimir Brichta, encarna o roqueiro fiel ao universo das guitarras e sobretudo à ideologia desse tal de rockn roll. Rival de Gui, Léo Régis – personagem de Rafael Vitti – representa a figura do popstar, o cantor jovem e bonito que faz contraponto aos roqueiros decadentes como Gui por fazer concessão ao pop e por fazer o jogo da indústria fonográfica. Uma parte mais idealista dessa indústria estará simbolizada na trama pela fictícia gravadora Som Discos, companhia de propriedade de Gordo (Herson Capri) que vai sofrer as consequências de apostar em gênero, o tal do rockn roll, que já não dá mais as cartas deste jogo da indústria.
 
Na história, a rivalidade entre Gui e Léo é atiçada por disputas amorosas e pelo roubo da música Sonha comigo, balada romântica composta por Gui da qual Léo se apropria para solidificar o sucesso. Na trama musical por vezes injusta da vida real, roqueiros como Gui desprezam velada ou assumidamente astros populares como Léo, sobretudo neste momento em que o rock brasileiro foi empurrado novamente para as garagens e para as margens do mercado brasileiro.
 
Se fosse real, Léo Régis – cuja estampa evoca a figura do cantor sul mato-grossense Luan Santana, popstar mais romântico do que sertanejo – seria uma pedra no caminho de roqueiros expulsos das paradas que ocuparam nos anos 1980 e 1990. Porque há e sempre houve a crença de que rock é arte e de que a música pop é descartável, ainda que, na prática, haja rocks descartáveis e músicas de apelo pop que são verdadeiras obras de arte.
 
Rock story entra em cena a partir de 9 de novembro para pôr mais lenha nessa fogueira de vaidades que esquenta a indústria da música, capaz de abrigar empresários invejosos do posto ocupado pelos artistas que gerenciam, caso de Lázaro (João Vicente de Castro), e de fabricar ídolos. A propósito, Gui vai tentar neutralizar Léo Régis com o mesmo veneno pop que corre nas veias do rival e, para tal, cria a boyband 4.4, formada pelo filho Zac (Nicolas Prattes) com Tom (João Victor Silva), Nicolau (Danilo Mesquita) e JF (Maicon Rodrigues), estudante de música clássica que vê no convite para integrar a boyband o trampolim financeiro que pode lhe dar oportunidade, no futuro, de viver da música que mais gosta.
 
Enfim, a trama de Rock story põe a música no centro da ação de forma que, folhetim à parte, vai revelar para o telespectador comum algumas regras e lances reais do jogo da indústria fonográfica. É ficção escrita no tom nem sempre afinado da vida e da música real.

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